
” Hoje se faz um mês que ando em uma dieta rígida. Fazia tempo que prometia a mim mesma que precisava cortar algumas coisas de minha rotina. Eu precisava de abstinência de muita coisa. Era inevitável, minha saúde estava indo de mal a pior esses últimos dias. Eu mesmo não me reconhecia. Então foi isso, entrei em uma dieta. Primeiramente cortei você do meu dia-a-dia. Isso mesmo, parei de te ligar, de te mandar mensagens. Parei de te procurar e gastar minhas forças tentando te fazer feliz. Lopo após cortei pessoas falsas. Não foi muito difícil de corta-las, eu sabia muito bem quem deveria ser tirado de minha rotina. Alguns se chamavam amigos, porém, os cortei do mesmo jeito que cortei uns tais conhecidos. Outra coisa que tirei também, foi a saudade. Pesquisei em diversos sites de saúde e vi que ela não era nada produtivo para mim. A única coisa que fazia era me machucar, me tornar fraca. Cortei amor, paixão e tudo o que era relacionado a você. Ouvi de muitos que eu não iria a lugar algum, se fosse tão radical com essa tal dieta. Mas mesmo assim fiz. Sei que posso não aguentar até o fim, mas vou tentar. Ontem acordei e pela primeira vez desde que te conheci, não me preocupei em ver meu celular e procurar uma mensagem sua me desejando bom dia. Tomei um banho literalmente gelado e sai de lá quente. Senti-me retornando a vida. Ontem mesmo adicionei algumas coisas em minha dieta. Amor próprio, sorrisos verdadeiros, confiança, coragem, motivos para rir. Achei dentro da geladeira um potinho esquecido de felicidade. Confesso que não vi nem se quer a data de validade, simplesmente o tomei. Sabia como é bom acordar e correr? Sim, essa manhã corri. Pela primeira vez também tive vontade própria para acordar, tomar um banho e sair por aí a fora correndo como se não tivesse hora. Estava de bom-humor. Quero lhe contar também, que essa noite dormi como eu tinha planejado já se fazia nove meses. Dormi sem acordar pela noite com medo de ter sido esquecida por ti. Dormi sem ao menos ter preocupação com teu humor quando acordar. Eu simplesmente liguei a televisão e assisti um programa de sorte ou azar no SBT. A televisão tinha sido programada para desligar sozinha e assim aconteceu. Eu cai no sono e logo após ela desligou-se. Depois da tal corrida matinal, voltei para casa. Infelizmente não sei onde se encontra meu celular. Incrível como perdi-o pela noite. Afinal, não culpo o celular de ser tão pequeno. Culpo a mim de ter esquecido a bolsa na casa daquele rapaz charmoso que me chamou para dançar na festa em que fui. Não lhe encontrei por lar. Por outro lado, eu nem ao menos lhe procurei. Tive que sair cedo para conhecer o apartamento em que o rapaz mora. Era espaçoso, tinha uma vista ótima para o clube. Ainda de lá mesmo dava para enxergar a minha casa. Disse a ele que precisava ir embora antes das três, mas eu perdi o horário. Como também perdi minha bolsa e meu casaco. Mas não se preocupe, amanhã mesmo irei pega-los na casa dele. Eu nunca tinha feito isso, sempre tive um medo de até chegar perto de um amigo meu por ciúmes seus. E por falar nisso, antes de aceitar dançar, exitei. Tinha me esquecido que eu não era mais sua. Agora eu tomava conta de mim. Eu, apenas eu. Achei que seria estranho, viver sem ao menos precisar da sua ajuda. E quer saber? Eu gostei. Me senti livre, me senti bem. Usei um pouco de amor próprio e deixei o ir. A nutricionista disse que daqui a uns meses eu vou poder voltar com tudo o que eu tirei. Disse que o ruim não é ter, e sim consumir em excesso. Eu dei uma ligeira gargalhada e disse a que não, não iria voltar. Ela perguntou o porquê, e eu simplesmente a respondi: — Doutora, dessa vez eu que cansei. Por outro lado, estou gostando do que eu estou sentindo. Acabou doutora, agora minha dieta será hábito. — Vejo que além de seguir a dieta, mudei meus hábitos. Agora a abstinência de você, chama-se rotina. ” — Júlia, tua-idiota.

Parece bobagem, coisa atoa, puro drama, mas não é. Tem dias que bate uma deprê mesmo, uma vontade de ficar só, de ouvir uma música qualquer e chorar até a última lágrima. De achar que o mundo está acabando, que tudo está desabando, e dá até uma vontade de morrer. Parece loucura, e talvez seja. Sempre temos lá nossos dias loucos, não é mesmo? Mas tudo que a gente precisa mesmo é de alguém ao nosso lado dizendo que vai ficar tudo bem, mesmo sabendo que não fique. De alguém que vá chorar junto, ou seque as minhas lágrimas. De alguém que diga que vai passar, mesmo que seja impossível de passar. Alguém pra me fazer ser forte, me dizer que sou forte, me deixar forte. É disso que a gente precisa. Apenas um alguém que não vá, e sim que fique. Viver só, chorar só, ficar só é tão solitário. E uma coisa que eu aprendi com a vida é que nascemos e morremos só, mas viver só ninguém vive. Ninguém é feliz. Mas isso é só um dos meus dias ruins, vai passar. Tem que passar. Sempre passa. E quando passar, eu quero ter a certeza de que alguém esteve ao meu lado dizendo; “Viu só? Superamos juntos.” Porque é disso que a gente precisa. De apenas um alguém. - Thiara Macedo (sdpm)

“Ouço os pingos de chuva se caindo sobre o telhado de casa daqui da minha cama, aqui está tão frio, e olha que estou debaixo de todos os edredons que eu consegui encontrar em meu quarto. A janela está toda fechada, e a porta também, meu quarto costuma ser tão quente, mas ele está frio hoje, muito frio, está congelando. E pelo buraco debaixo da porta, entra um vento gelado aqui no quarto, um vento com toda força, que dá medo de explodir a porta de madeira em pedacinhos. Estou vestida com blusas enormes, uma calça de veludo, e uma meia um tanto grossa, que vai até minha coxa. Não sei porque ainda estou com frio, parece até que estou com febre, mas não estou, minha temperatura está normal. Já sei o porque de tanto frio, isto não é um frio físico, e muito menos psicológico, é um frio que sinto faz um tempo, um frio aqui dentro de mim. Mas hoje parece que este frio está pior, está mais frio do que nunca aqui dentro, nunca senti tanta frieza nas minhas palavras, no meu olhar, nos meus abraços, está tudo frio, minhas palavras saem como gelos. Parece que minha temperatura aqui dentro está mais ou menos -2°. Eu não gosto deste frio que anda me invadindo esses dias, e olha que desde pequena, sempre amei frio, sempre amava quando chegava o inverno, e tinha que usar aqueles casacos e pijamas de frio, sempre gostei mesmo, mas ultimamente eu não tenho gostado tanto como antes. Este frio está me mudando demais, dizem por aí que eu ando mudada demais, mas eu sempre respondo com frieza “Ah, claro, você queria o que? Eu cresci e deixei de ser tola.”, acho que eu ando muito dura com as pessoas, ando muito fria, minhas respostas estão tão grossas, que eu até acho que as pessoas sentem um certo medo de falar comigo. Ouvi dizer que eu estou diferente, que eu não sou a menininha de antes, que eu não sou mais doce e sorridente. Ouvi dizer que antes eu contagiava as pessoas, e trazia um brilho enorme para os lugares escuros e chatos, mas isso mudou, falaram que ando apagada, e falaram pra mim que querem ver essa “estrelinha” brilhar novamente. Me perguntam o porquê dessa mudança tão radical, nem eu mesma sei responder isso, acho que com o tempo todos cansam né, todos cansam de serem legais, sorridentes, delicados, acho que todos mudam né. Com o tempo, os motivos para serem legais, acabam, vão sumindo e se apagando. Também, não têm como ser feliz com esse vai e vem que as pessoas fazem na minha vida, elas entram e depois de um tempo saem, isso não é certo, não é certo sair da vida de pessoas, talvez seja por isso que ando mudada. Juro que eu não gostaria de ser assim, infeliz e triste, gostaria de ser a pessoa que eu era antes, mas não sei, isso não combina mais comigo, não combino com a felicidade e nem com a delicadeza, antes eu combinava, mas hoje…não combino mesmo. Eu mudei, e vou ter que aceitar isso. Vou ter que aguentar esse frio e as pessoas se afastando de mim.“ — c-olapso
